Dia Mundial de Conscientização do TDAH destaca importância do diagnóstico correto

BRASIL — O Dia Mundial de Conscientização do TDAH, celebrado nesta segunda-feira, 13 de julho, destaca a importância do conhecimento para o diagnóstico correto e o acolhimento de pacientes. O Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um dos temas mais comentados atualmente em saúde mental.

A Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA) estima que entre 5% e 8% da população mundial tem TDAH. Além disso, 70% das crianças com o transtorno apresentam outra condição associada, como ansiedade e dificuldades de aprendizagem. Pelo menos 10% convivem com três ou mais comorbidades.

A visibilidade do tema aumentou nos últimos anos, impulsionada por discussões em redes sociais como Instagram e TikTok, que detalham sintomas e situações cotidianas ligadas à condição.

O psiquiatra Rogério Onofre, médico consultor da Libbs, explicou que a maior visibilidade pode gerar mais preocupações do que respostas, especialmente em crianças e adolescentes. Isso ocorre porque muitos sintomas podem ser causados por outros motivos, como ansiedade, insônia e estresse.

O crescente interesse pelo TDAH também fez com que queixas e suspeitas aumentassem nos consultórios. No entanto, o psiquiatra ressalta que isso não significa um aumento nos casos, mas sim que o diagnóstico está sendo feito com mais frequência e precisão.

Onofre afirmou que há um avanço na desconstrução de rótulos que antes impediam muitas pessoas com TDAH de receber diagnóstico e tratamento adequado. Hoje, esse público encontra mais acolhimento e visibilidade nos serviços de saúde e ambientes educacionais.

Apesar da popularidade, muitos aspectos sobre o transtorno ainda são pouco conhecidos. O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento, ligado a alterações no funcionamento e na maturação do cérebro.

Essas alterações interferem na capacidade de atenção, no controle dos impulsos e na regulação emocional, podendo impactar a vida escolar, social e familiar. O especialista destaca que fatores biológicos, genéticos e ambientais interferem na manifestação do transtorno.

O primeiro desafio para o diagnóstico do TDAH é a identificação dos sintomas, que se dividem em três tipos de manifestação: predominantemente desatento (exemplo: falta de atenção a detalhes, cometer erros por descuido e não terminar tarefas), predominantemente hiperativo-impulsivo (exemplo: agitar pés e mãos, remexer-se constantemente e não conseguir esperar sua vez), e combinado (sintomas simultâneos de desatenção e hiperatividade-impulsividade).

Para o diagnóstico, os sintomas precisam estar presentes por tempo prolongado e em mais de um ambiente, como em casa e no trabalho ou na escola. Onofre acrescentou que a preocupação surge quando a desatenção, a hiperatividade ou a impulsividade são intensas, persistentes e trazem prejuízo nas atividades diárias.

O psiquiatra concluiu que entender o TDAH em suas diferentes dimensões é essencial para oferecer o suporte adequado a quem convive com o transtorno. O cuidado com o TDAH não é sobre corrigir comportamentos, mas sobre criar um ambiente acolhedor e estruturado que favoreça o bem-estar do paciente.

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