Santa Catarina registrou salto de 131% em internações psiquiátricas infantojuvenis

SANTA CATARINA — O número de internações de crianças e adolescentes em hospitais psiquiátricos teve um salto de 131% no estado nos últimos dez anos.

O levantamento do Ministério Público Estadual (MPSC) revelou o dado. O órgão monitora a saúde mental por meio desses registros e das notificações de tentativas de suicídio.

Em algumas regiões catarinenses, o crescimento dessas internações infantojuvenis superou a marca de 250%.

A pesquisa também aponta um cenário preocupante em relação às tentativas de suicídio na faixa etária até os 19 anos. Houve um crescimento de 243% no mesmo período.

De acordo com o MPSC, os dados de internações de adultos também subiram, registrando uma alta de 66%. O monitoramento utiliza as notificações oficiais enviadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) para acompanhar a evolução dos casos e subsidiar políticas públicas de assistência.

A partir desses indicadores, o MPSC comunica as promotorias locais. O objetivo é cobrar ações integradas em cada município. Entre as medidas recomendadas estão a criação de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), a contratação de profissionais especializados, como psicólogos e psiquiatras, e o fortalecimento geral da rede de atendimento voltada à saúde mental.

Estudo associa celular precoce a problemas de saúde mental

Um estudo internacional associou o uso precoce de celulares ao desenvolvimento de problemas de saúde mental em jovens adultos.

O levantamento, realizado com dados de aproximadamente 2 milhões de pessoas de 163 países pelo laboratório Sapien Labs, aponta que o acesso a smartphones antes dos 13 anos aumenta o risco de sintomas graves. Entre os sintomas estão pensamentos de autodestruição, instabilidade emocional e baixa autoestima. O impacto negativo foi mais intenso entre as mulheres.

A pesquisa revela que, entre os jovens que ganharam o primeiro aparelho aos 5 anos, a taxa de sofrimento mental grave ou de sensação de desconexão com a realidade chega a quase o dobro. Isso ocorre em comparação com os que começaram a utilizar a tecnologia depois dos 13 anos.

Para se ter uma ideia, 48% das meninas que receberam o celular aos 5 ou 6 anos relataram pensamentos de autodestruição na juventude. O índice cai para 28% entre as que tiveram acesso ao dispositivo apenas a partir dos 13 anos de idade.

Os cientistas identificaram que a entrada precoce nas redes sociais é o principal caminho para o desgaste da saúde mental dos jovens. Isso responde por até 70% dessa relação em países de língua inglesa.

Além do uso das redes, fatores como a perda de qualidade do sono e a exposição a intimidações sistemáticas na internet também desempenham um papel relevante. Diante das descobertas, os especialistas sugerem o debate de medidas preventivas, incluindo a proibição do uso de redes sociais por menores de 13 anos e a criação de aparelhos com funções limitadas para o público infantil.

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