SÃO MATEUS DO SUL/PR — Celebra nesta segunda-feira, 21, os 118 anos de emancipação política, completados desde a instalação oficial do município, em segunda-feira, 21. A data marca a trajetória de gerações que construíram 1 comunidade marcada pela diversidade cultural, pelo trabalho, pela agricultura, pelo extrativismo, pela navegação e pela atividade industrial.
A criação do município foi determinada pela Lei nº 763, de 2 de abril de 1908. A instalação oficial ocorreu em segunda-feira, 21 daquela ano, data que permanece como um dos principais marcos da identidade histórica local e que, 118 anos depois, volta a ser celebrada.
Ocupação do território precedeu a emancipação
A história do território, porém, começou antes da emancipação. Em 1769, o tenente Bruno da Costa Filgueiras, comandante da Quarta Expedição, foi o primeiro integrante daquela expedição a pisar nas terras que segunda-feira, 21 formam o município, à frente de 25 homens. O local servia como pouso e ponto de apoio às bandeiras militares organizadas pelo governador da Capitania de São Paulo, Dom Luiz de Souza Botelho e Mourão, durante as iniciativas de conquista da região de Guarapuava.
Em 1877, estabeleceu-se na região o primeiro grupo de nacionais. Uma tentativa de formação de uma colônia de espanhóis não avançou, com o grupo se dispersando por dificuldades de adaptação.
Em 1885, chegaram os imigrantes alemães, atraídos, entre outros fatores, pelas notícias sobre a existência de petróleo na região. Entre eles estavam Rudolph Wolff e Gustavo Frederico Thenius. A colônia recebeu inicialmente o nome de Porto Santa Maria, em homenagem à protetora das esposas e dos filhos dos fundadores; passou depois a chamar-se Maria Augusta, em referência à esposa do engenheiro-chefe José Carvalho Sobrinho, um dos administradores da nova colônia. Posteriormente, consolidou-se o nome São Mateus.
Em 1890, a diversidade cultural ganhou ainda mais força com a chegada dos imigrantes poloneses. Sob a liderança de Sebastião Edmundo Woss Saporski, cerca de 2 mil famílias se estabeleceram na região, ocupando colônias como Iguaçu, Canoas, Cachoeira, Taquaral, Água Branca e Rio Claro, atualmente pertencente ao município de Mallet.
Erva-mate, madeira e navegação a vapor
Nos primeiros anos, a economia local tinha na agricultura e no extrativismo seus principais pilares. A madeira e a erva-mate tornaram-se riquezas fundamentais para a região e ajudaram a movimentar a economia da comunidade. Um dos grandes momentos dessa trajetória ocorreu com o desenvolvimento da navegação a vapor no Rio Iguaçu, que transformou São Mateus em um importante porto e centro comercial, fortalecendo as relações econômicas e contribuindo para o crescimento da localidade.
Estagnação e retomada com a usina de xisto
Com o encerramento do ciclo da navegação pelo Rio Iguaçu, na década de 1950, a região enfrentou um período de estagnação econômica que atingiu boa parte do Sul do Paraná. A retomada ganhou força no final da década de 1960, quando a Petrobras decidiu implantar no município uma usina experimental destinada ao aproveitamento do xisto existente na região. A exploração industrial do minério representou uma nova etapa, impulsionando a atividade industrial e contribuindo para uma transformação significativa na economia local.
Termo Judiciário, Comarca e o nome São Mateus do Sul
A trajetória institucional continuou nos anos seguintes. Em 1909, o município foi constituído em Termo Judiciário e, em 1912, tornou-se Cabeça de Comarca, com a sede elevada à categoria de cidade. Em 1943, por meio de Decreto Estadual, passou a adotar oficialmente o nome São Mateus do Sul, denominação que permanece até os dias atuais.
Chegar aos 118 anos de emancipação política significa também reconhecer a contribuição de milhares de pessoas que, ao longo de mais de um século, ajudaram a transformar o território em cidade. São Mateus do Sul carrega em sua identidade a força dos pioneiros, a herança dos povos imigrantes e a tradição das famílias que seguem no município.